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17/6/2020
Nilton Santos conquista os tchecos


Camisa em homenagem a Nilton Santos, presente da República Tcheca - Foto: Arquivo pessoal


Na primeira convocação para a Copa do Mundo no Chile, em 1962, 41 jogadores foram chamados. Primeiramente, a Seleção Brasileira viajou até Campos do Jordão (SP) para realizar os exames médicos. Depois, seguiu para os treinos em Nova Friburgo e, por último, em Serra Negra (SP). Todos mantinham o sonho de representar o país, mas apenas 22 seriam escolhidos. Campeão na Suécia e em boa fase no Botafogo, o maior lateral esquerdo de todos os tempos enfrentava críticas de alguns jornalistas, que o achavam “muito velho”. Nilton tinha quase 37 anos.

Na fase de amistosos, Nilton calou todos os críticos. Válido pela Taça Oswaldo Cruz, o Brasil enfrentou o Paraguai no Maracanã, no dia 21 de abril. Foi um baile: 6 a 0. A Enciclopédia do Futebol rabiscou na defesa, no ataque e fez o seu terceiro gol com a camisa amarela. Depois daquela partida, 29 atletas disputavam a lista final. Por fim, mais dois jogos contra Portugal, dessa vez, no Estádio do Pacaembu. Vitória por 4 a 0, no primeiro jogo e 2 a 1, no segundo. Neste, com mais um gol de Nilton Santos, o lateral artilheiro do Brasil. Ali, definitivamente, ele carimbou seu passaporte para o Chile, onde mais uma vez foi decisivo, não apenas pelo seu talento e habilidade, mas também por sua maturidade e experiência.

Naquela época, a equipe da Tchecoslováquia também era forte. Em 1960, ela terminou em terceiro na Copa da Europa e, dois anos depois do mundial, a mesma geração veio a conquistar a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964. Uma adversária que engrandeceu a conquista de 1962 e que também se encantou com o futebol brasileiro. Desde a final em 17 de junho de 1962, há 58 anos, portanto, que os tchecos admiraram os jogadores brasileiros e, dentre eles, em especial, Nilton Santos. Esbelto e esguio, sua classe os deixou hipnotizados.

No dia 25 de junho de 2012, na celebração dos cinquenta anos do bicampeonato, o Ministério dos Esportes lançou um livro comemorativo (disponível para download aqui) e, juntamente com a Confederação Brasileira de Futebol, homenageou os campeões. Na inauguração da exposição “Cinquentenário da Copa do Mundo de 1962”, no Memorial da América Latina, em SP, estiveram presentes Zagallo, Mengálvio, Pepe, Jair da Costa, Djalma Santos, Gilmar, Jair Marinho, Amarildo e Atair. Havia também cinco jogadores tchecos vice-campeões. Nilton foi representado por Luciana Albuquerque, sobrinha de sua esposa, Maria Coeli, a quem agradecemos por autorizar a publicação das fotos que tiramos dos itens que Nilton Santos recebeu do Brasil e da República Tcheca,[1] estes que ele havia conquistado no campo e também no coração.

Esta foi sua última homenagem em vida, mas jamais a última de sua história infinita.



[1] A Tchecoslováquia foi dissolvida em dois Estados, em 1993: República Tcheca e Eslováquia



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