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22/10/2020
Nilton e os 80 anos do Pelé


Botafogo e Santos, duas sensações do futebol brasileiro - Foto: Autor desconhecido


Pelé se apresentou para o Brasil no dia 7 de julho de 1957. Foi a sua estreia na seleção canarinho, na decisão da Copa Rocca, contra a Argentina. O menino tinha apenas 16 anos. Nilton Santos, já veterano da amarelinha, não esteve neste jogo. Mas, o enfrentou pela primeira vez em maio, no mesmo ano. No dia 11 daquele mês, pelo torneio Rio São Paulo. A lembrança é amarga para os alvinegros do Rio. A vitória foi santista por 5 a 1. Aliás, nem o retrospecto é favorável. Em todos os jogos contra o time santista, Nilton comemorou apenas três vezes (entre 1957 e 1964). Os paulistas derrotaram o Botafogo em sete jogos, com o Nilton em campo. Empates? Apenas 2 a 2, em março de 1958. Naquele tempo, os dois times eram muito badalados. As principais estrelas destes clubes se encontravam também na seleção.

Jogando juntos, a história é diferente. Nilton Santos e Pelé perderam apenas uma única vez quando estiveram em campo pela seleção. Foi em 1959, por 1 a 0, para o Uruguai, jogo disputado em Montevideo, no Estádio Centenário, pela Copa Atlântico. Além de, claro, dois campeonatos mundiais: 1958 e 1962. Os mais velhos desta turma brilham hoje no céu, com algumas exceções. Dos mais novos, o aniversariante de amanhã: sua majestade, que completará 80 anos.

Independentemente de qualquer comparação entre jogadores e opiniões subjetivas, Edson Arantes do Nascimento é mundialmente conhecido como o Rei do Futebol. O título concedido não foi sem luta e muito menos sem gols, mais de mil! De modo que, sem dúvida, é um privilégio ter uma história compartilhada. São anos dourados no futebol brasileiro e mundial.

Em lembrança na ocasião do falecimento da Enciclopédia do Futebol, em novembro de 2013, Pelé se manifestou: “Serei eternamente agradecido ao que Nilton fez por mim”. Ele também mandou uma bela coroa de flores. Alegando problemas de saúde já naquela época, não prestou depoimento no filme Ídolo, documentário dirigido por Ricardo Calvet e produzido por Ricardo Macedo, lançado em 2014 (ver mais aqui).

Antes, um momento de tensão, é verdade, quando o Rei se esqueceu de incluir Nilton Santos em sua lista de melhores de todos os tempos (este não foi o único esquecimento polêmico). Modesto, Nilton respondeu com classe e sem vaidade, como constatado em entrevista a Pedro Mota Gueiros, para o caderno de esportes do jornal O Globo, no dia 05 de março de 2004, reproduzido em trecho a seguir:

“Quando o Brasil ganhou a Copa de 58, Pelé, então com 17 anos, chorou como um filho nos ombros de Nilton Santos, que disputava seu terceiro Mundial. O lateral bicampeão do mundo sempre foi um jogador à frente de seu tempo, o primeiro defensor a apoiar e fazer gols. Pelé esqueceu-se disso e deixou Nilton de fora da lista dos 120 melhores jogadores vivos da história, feita para celebrar os 100 anos da Fifa. Ontem, no anúncio oficial, em Londres, seu nome foi incluído às pressas. Alheio à disputa de egos, enquanto ia de metrô para o trabalho, Nilton, aos 78 anos, mostrou que ainda joga avançado e voltou a acolher Pelé de forma paternal:

– Não me preocupo em ser o melhor, o que eu fiz já está feito. É bom que nem me incluam, pois, se fizerem uma homenagem, não vou mesmo. Não estou mendigando nada. Estou de bem comigo mesmo.

E com Pelé também:

– Nosso time se entendia pelo olhar, éramos amigos. E não perdi nenhum deles. Minha relação com o Pelé sempre foi muito boa. Já faz tanto tempo que a gente jogou junto e ele era tão garoto que até já se esqueceu de mim. Foi um lapso, está tudo certo, eu não vivo de favores”.

Ficam os jogos, os gols, as vitórias, as derrotas, as palavras ditas, as entrevistas... Se Nilton Santos estivesse conosco neste momento, certamente ele também diria: Parabéns pelos 80 anos, Pelé! E pelo legado que deixou ao futebol.



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